Uma análise recente da IHS iSuppli determinou que o modelo mais barato do Kindle, da Amazon, vendido por US$ 79, custa US$ 84,25 para ser produzido.
No resultado, a iSuppli concluiu que o custo de materiais do Kindle é de US 78,59, incluindo a tela de 6 polegadas com tecnologia e-ink, com preço de US$ 30,50. A empresa de pesquisas
estima que os custos de produção ficam na casa dos US$ 5,66 por aparelho.
Mesmo que a Amazon pague mais do que US$ 79 pelo Kindle, a empresa tem outros meios de fazer dinheiro com o aparelho. Esse modelo de Kindle inclui propagandas que são exibidas na
tela de descanso e no rodapé da tela inicial do aparelho.
A empresa enxerga cada aparelho da família Kindle como uma forma de aumentar as vendas de livros digitais, músicas, jogos e aplicativos.
Bruno Gomes de Carvalho gostava tanto do jogo para computador "A Neighbour from Hell", de 2003, que quis apresentá-lo à sua irmã. Mas tinha um problema: o game é em inglês, idioma
que ela não dominava. "Foi aí que tive a ideia de tentar editar os arquivos de texto e, por sorte, consegui", conta.
Bruno prosseguiu com a ideia e hoje, com 22 anos, é moderador de traduções em um portal especializado, reforçando um grupo apaixonado: o de jogadores que traduzem voluntariamente
games para português brasileiro.
Jocimar Araujo, coordenador do site GameVicio e tradutor amador de jogos
Assim como Bruno, João Paulo de Oliveira, 24, traduz games de forma voluntária, ressaltando "a prática de outros idiomas" como uma motivação -ele conta nunca ter feito curso de inglês
ou espanhol. Quando surgem dúvidas de inglês, Oliveira recorre a dicionários on-line.
"Como é um trabalho voluntário, você faz nas horas livres", afirma.
Nenhum dos sete fãs brasileiros com quem a Folha conversou afirmou ganhar dinheiro com a iniciativa.
HISTÓRIA
A primeira tradução não oficial de um game conhecida foi lançada em 1993 para o japonês "SD Snatcher", de MSX 2, de 1990, vertido para inglês. Durante a década de 90, grupos
internacionais começaram a passar para inglês jogos até então exclusivos do Japão, como "Final Fantasy 5", disponibilizando gratuitamente "patches" na rede.
Atualmente, o site Romhacking.net, um dos maiores portais especializados no assunto do mundo, contabiliza 945 "patches" em inglês para todos os sistemas.
Já o Portal Brasileiro de Romhacking e Emulação (romhackers.org), que centraliza grupos focados em traduzir games para português, indica o site Emurom, de 1998, como a primeira
iniciativa em grupo no Brasil, que registra, atualmente, 67 equipes ativas e 119 inativas.
Com tantos grupos no país, não há números totais de projetos, mas é possível estimar ao menos 1.225 traduções.
O brgames.org, que disponibiliza "patches" de games para consoles de diversos sites, contabiliza 785, enquanto o portal do gamevicio.com, maior dos voltados para jogos de PC, tem 440,
incluindo versões em português de Portugal.
A divisão entre games para console e para PC acontece porque as localizações para computador são aplicadas nos jogos já instalados -o que, a princípio, não envolveria baixar ou adquirir
cópias ilegais.
"As traduções não são usadas como cópias ilegais de jogos. Quem usa pirataria faz cópia ilegal com ou sem tradução", afirma Jocimar Araujo, 43, do GameVício, que lucra com banners de
publicidade.
Araujo conta que recebeu ameaças não identificadas quando encabeçou uma campanha para desestimular a venda de cópias ilegais de games com os "patches" do GameVício em sites
particulares e de leilões.
VOLUNTÁRIOS
Para fazerem as traduções, programadores de sites como GameVício e Tribo Gamer extraem o texto dos games, que é dividido em partes. Isso permite que administradores dividam tarefas
entre equipes.
"A duração de um projeto depende da quantidade de tradutores envolvidos, bem como do gênero do jogo. O gênero mais desafiador é o RPG", diz Ednaldo Trajano, 30, administrador do
Tribo Gamer.
A adaptação de "Grand Theft Auto 4" pelo GameVício contou com 180 pessoas. Já "NecroVision" e "Police Simulator" só tiveram um tradutor.
Com 16.675 linhas de texto, "Deus Ex: Human Revolution" levou três meses, conta João Paulo Rodrigues, também administrador do Tribo Gamer.
"The Elders Scrolls 5: Skyrim", em andamento, tem 67.432 linhas.
ILEGAL
O advogado Bruno Salvatore Drago, consultor de direitos autorais e software, diz que as traduções são ilegais.
Segundo Drago, a Lei do Direito Autoral determina que as traduções dependem de autorização do autor.
O advogado lembra que "ilegal significa que é contra a lei, não que seja crime". Para ser crime, depende do caso, como "a forma como a tradução é disponibilizada".
Marcos Lázaro Francisco Viégas, consultor jurídico do GameVício, argumenta que não há legislação específica.
Questionada, a Blizzard citou o contrato de licença e seus jogos, que proíbe a tradução parcial ou total.
Betrand Chaverot, diretor-geral da Ubisoft Brasil, diz entender "como bastante positiva a iniciativa de jogadores que se dispõem a legendar seus jogos preferidos".
GLOSSÁRIO
Emulador: software que imita o ambiente de um videogame para rodar seus jogos
MSX: tipo de computador criado no Japão, nos anos 1980. Jogos como "Bomberman" tiveram sua primeira versão nele
Patch: trecho de programação incluído a um software para modificá-lo
A Amazon.com negocia com autoridades regulatórias chinesas para levar o leitor Kindle e o tablet Kindle Fire para o país asíatico, informou a imprensa local citando um executivo da
Amazon.
O vice-presidente sênior Marc Onetto disse ao Sohu IT em entrevista na quinta-feira (27) que a companhia negocia com reguladores chineses sobre questões de direitos autorais.
Onetto disse que não havia previsão para a introdução do Kindle na China e que a companhia ainda não está planejando trabalhar com vendedores domésticos.
"Esperamos lançar produtos na China que sejam simples e fáceis de usar. Se houver muitos vendedores participando, o produto ficará muito complexo. Não só estamos preocupados com a
velocidade do mercado na China mas também com as necessidades dos usuários", afirmou Onetto.
A Amazon surpreendeu os acionistas nesta semana ao prever um quarto trimestre bem mais fraco do que se esperava por causa dos gastos com o tablet Kindle Fire.
A companhia, que comprou o site chinês de e-commerce Joyo.com em 2004, mudou o nome quinta-feira para "Amazon China" e reduziu o endereço para "www.z.cn".
A obsessão do mundo pela internet agora será transmitida à maior tela dos lares, com empresas de software, fabricantes de TV e titãs da tecnologia como Google e Microsoft acrescentando
ímpeto a essa tendência.
Até mesmo a venereada empresa por trás dos iPads e iPhones deverá ingressar neste ramo em brevem com uma versão melhorada do Apple TV.
A CES, maior feira de eletrônicos do mundo, que termina nesta sexta-feira em Las Vegas, está cheio de pequenas e grandes empresas apostando que as smart TVs vão se espalhar
rapidamente pelas salas de estar.
"A televisão está se tornando rapidamente a porta de entrada de conteúdo da internet", afirmou o vice-presidente executivo da Sony, Kazuo Hirai, durante uma apresentação durante a
feira.
Samsung, Sony e LG estão entre as principais empresas que apresentaram novas smart TVs no evento.
A LG, sediada na Coreia do Sul, anunciou que está produzindo sues próprios chips para fortalecer as TVS com recursos on-line juntamente com controles de gesto e de voz.
"Desde o início da revolução da smart TV, descobrimos que o conjunto das indústrias de chips nos deixaram para trás não oferecendo alta performance", afirmou o responsável técnico da LG
Electronics, Scott Ahn.
"A partir deste ano, vamos aplicar nossos próprios chips da linha L a uma linha de TV de ponta."
A LG se juntou a um pequeno grupo de fabricantes de televisões sincronizadas à internet com o software Google TV.
A Google TV foi lançado em 2010, mas ainda precisa ganhar força no mercado.
"Acreditamos que temos algumas grandes tecnologias que fariam da Google LG uma escolha popular", explicou Ahn.
"Nossa tecnologia junto com a plataforma Google TV formará as bases de um relacionamento forte de longa duração com o Google."
O Yahoo! iniciou a tendência no CES há três anos, com widgets incorporados a TVs para ligá-las a serviços on-line da mesma forma que os aplicativos vinculam gadgets a jogos, vídeos ou
outros conteúdos da internet.
Mais de oito milhões de televisões com widgets Yahoo! foram compradas e as vendas se aceleram à medida que a tecnologia melhora e chegam mais aparelhos com conexão wireless à
internet, de acordo com o diretor da Connected TV, Russel Schafer.
"A próxima etapa é realmente sobre engajamento, fornecendo conteúdos relevantes", explicou Schafer.
Frequency e Shodogg estavam entre as empresas estreantes na CES prontas para divulgar seus nomes ao ajudar as pessoas a navegar, classificar ou compartilhar as quantidades
gigantescas de vídeos disponíveis uma vez que a TV se conecte à internet.
A Frequency, sediada em Los Angeles, divulgou versões de navegadores para iPad e internet de um serviço que permite que as pessoas programem canais baseados em seus interesses.
"Você pode criar um guia de televisão pessoal, basicamente", informou o presidente-executivo da Frequency, Blair Harrison, enquanto demonstrava a tecnologia em um iPad.
"Eu posso juntar Facebook, TMZ, TED... como se eles fossem canais de vídeo, ou criar canais de qualquer assunto específico."
Os aplicativos da Frequency são gratuitos, e o software será incorporado às televisões da Samsung neste ano, de acordo com Harrison.
O tablet da Amazon vai custar US$ 250, metade do preço da versão mais simples do iPad (US$ 500, nos EUA), de acordo com MG Siegler, do site de tecnologia TechCrunch.
Segundo Siegler, que passou uma hora com o dispositivo, mas não pôde fotografá-lo, o aparelho terá tela colorida de LCD de sete polegadas e rodará Android.
A Amazon modificou o visual do Android a ponto de torná-lo irreconhecível, de acordo com o TechCrunch.
Aplicativos poderão ser instalados somente por meio da loja virtual Amazon Appstore --não será possível acessar o Android Market, do Google, segundo Siegler.
O jornalista afirma que a empresa tinha planos de comercializar também uma versão com dez polegadas, mais cara, mas optou por lançar inicialmente apenas a versão menor.
A decisão de lançar a edição de dez polegadas dependerá do eventual sucesso do primeiro tablet, segundo MG Siegler.








